Recomenda-se em Português… O Livro dos Homens Sem Luz

Este livro de João Tordo tem uma intensidade muito forte, devido a uma espécie de aura negra que o autor incute a cada personagem, a cada cenário. Chegamos ao fim e reparamos que é mesmo um livro de homens sem luz, sós e de alguma forma condenados.

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Ficha Técnica:

Autor – João Tordo
Editora – D. Quixote
Edição – 2011
ISBN – 9789722043847

Sinopse:

Ao perder tudo, um homem isola-se no silêncio de um apartamento londrino, e a sua vida começa a ser comandada pela voz de um desconhecido ao telefone; um casal fica, de um momento para o outro, soterrado nos escombros de uma casa destruída pela guerra durante o blitz alemão sobre Londres; um estudante vítima de insónia mergulha num mundo de irrealidade permanente, temendo o ameaçador vizinho do quarto contíguo; um médico mórbido constrói uma máquina de tortura num hospital isolado da costa de Brighton.
Os segredos por revelar de todas estas personagens perpassam num romance cheio de enigmas e vozes e criam uma atmosfera de suspense e claustrofobia que faz de cada página um passo expectante na direcção de uma escuridão cada vez maior, de um desenlace ao mesmo tempo macabro e romântico.
Com ecos de Kafka e de Auster e influências do novo conto gótico, O Livro dos Homens sem Luz revisita os clássicos da literatura de mistério – de Wilkie Collins a Edgar Allan Poe -, oferecendo-lhes um espaço peculiar no qual o autor entrega o destino das personagens a si próprias.

Recomenda-se em Português… Os Maias

Quem não leu tem que ler… digo eu como fã.

(a capa do meu não é assim, visto que o meu é o da minha mãe e deve ser das primeiras edições)

9789722519168

Trata-se da obra-prima de Eça de Queirós, publicada em 1888, e uma das mais importantes de toda a literatura narrativa portuguesa. Vale principalmente pela linguagem em que está escrita e pela fina ironia com que o autor define os caracteres e apresenta as situações. É um romance realista (e naturalista), onde não faltam o fatalismo, a análise social, as peripécias e a catástrofe próprias do enredo passional.

A obra ocupa-se da história de uma família (Maia) ao longo de três gerações, centrando-se depois na última geração e dando relevo aos amores incestuosos de Carlos da Maia e Maria Eduarda.

Mas a história é também um pretexto para o autor fazer uma crítica à situação decadente do país (a nível político e cultural) e à alta burguesia lisboeta oitocentista, por onde perpassa um humor (ora fino, ora satírico) que configura a derrota e o desengano de todas as personagens.

Fonte

Recomenda-se em Português… A Manhã do Mundo

Este livro de estreia de Pedro Guilherme-Moreira é um gigantesco exercício acerca do destino, das probabilidades, das relações e, principalmente, da vida. “A Manhã do Mundo” tem partes magistrais, personagens intimas e interessantes e, acima de tudo, uma essência que toca directamente na alma do leitor.

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Ficha Técnica:
Autor – Pedro Guilherme-Moreira
Editora – Dom Quixote
Edição – 2011
ISBN – 9789722045193

Sinopse:

No dia 12 de Setembro de 2001, Ayda encontrou-se com Teresa num café de Allentown e, com o jornal aberto sobre a mesa, foi implacável com os que tinham saltado das Torres Gémeas, chamando-lhes cobardes; mas não disse à amiga que, na verdade, o que sentia era outra coisa, uma grande frustração por o marido e o filho a terem abandonado e rumado a Nova Iorque num momento em que ela se recusava a tomar a medicação e lhes tornava a vida um Inferno – e de não ter coragem de fazer o que esses tinham feito.
Entre os que saltaram, estavam Thea, Millard, Mark, Alice e Solomon – todos personagens fascinantes, com histórias de vida simultaneamente banais e extraordinárias -, que o acaso reuniu no 106.º piso da Torre Norte do World Trade Center naquela fatídica manhã. Se Ayda, por hipótese, conhecesse essas histórias e o drama que eles enfrentaram, decerto não os teria insultado tão levianamente. Mas poderá o destino dar-lhe uma oportunidade de rever a História?
Este é um romance admirável sobre o medo e a coragem, o desespero e a lucidez, a culpa e a expiação; mas é também um livro sobre Einstein e os universos paralelos, sobre o que foi e o que podia não ter sido. No décimo aniversário do 11 de Setembro, a memória não basta, é preciso combater o esquecimento indo para junto dos heróis que viveram o horror e compreender cada um dos seus actos – se necessário, saltar com eles, conhecer aquela que foi a manhã do Mundo.

Recomenda-se em Português… A Lua de Joana

Maria Teresa Maia Gonzalez acompanha-me desde a minha adolescência, com livros como A Lua de Joana, O Guarda da Praia ou até a colecção Adolescente.

Vou recomendá-los e guardá-los com muito carinho aos meus filhos e quando chegar a altura até os lerei com eles novamente, porque nas suas histórias, tão acessíveis e simples, mas sempre com muita moral e lições de vida pelo meio, Maria Teresa Gonzalez vais-nos apresentando e ensinando caminhos da vida.

Recomendo a quem o leu e a quem não o leu.

Ficha Técnica:

Autora – Maria Teresa Maia Gonzalez
Editora – Verbo
Edição – 1995
ISBN – 9789722216333

Sinopse:

A história fala de Joana, uma rapariga que ao ver a sua amiga morta por uma overdose, decide começar a escrever cartas a ela, para que desta forma a mantenha viva na sua memória, e para também tentar perceber o que levou a amiga a seguir tão trágico caminho e também de o conseguir aceitar.

Recomenda-se em Português… Deixem Falar as Pedras

Um livro de David Machado sobre encontros e desencontros, sobre a felicidade e a amargura, sobre o sonho e a realidade, sobre o passado e o presente. Tudo está fielmente ligado nesta ficção onde a esperança mantém vivos os espíritos dos personagens.

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Ficha Técnica:
Edição/reimpressão: 2011
Páginas: 336
Editor: Dom Quixote
ISBN: 9789722045032
Sinopse:
No dia em que se ia casar, Nicolau Manuel foi levado pela Guarda para um interrogatório e já não voltou. Viveu, assim, quase toda a vida na urgência de contar a verdade a Graça dos Penedo, a noiva que mais tarde lhe seria arrebatada pelo alfaiate que lhe fizera o fato do casamento. Porém, sempre que se abria uma possibilidade, uma ameaça desviava-o dramaticamente do seu destino – e agora, meio século volvido, está velho de mais para querer mudar as coisas, gastando os dias com telenovelas. De tanto ter ouvido ao avô a sua história rocambolesca, Valdemar – um rapaz violento e obeso apaixonado pela vizinha anoréctica – não desistiu, mesmo assim, de fazer justiça por ele. E, ao encontrar casualmente a notícia da morte do alfaiate, sabe que chegou a hora de ir falar com a viúva: até porque essa será a única forma de resgatar Nicolau Manuel da modorra em que se deixou afundar.
Alternando a narrativa dos sucessivos infortúnios de Nicolau Manuel – que é também a história de Portugal sob a ditadura, com os seus enganos, perseguições e injustiças – com a de um adolescente que mantém um diário com numerosas passagens rasuradas como instrumento de luta contra o mundo -, Deixem Falar as Pedras é um romance maduro e fascinante sobre a transmissão das memórias de geração em geração, nunca isenta de cortes e acrescentos que fazem da verdade não o que aconteceu, mas o que recordamos.