[Opinião Blog Morrighan] Ser Blogger nos Dias de Hoje

Não resisti e como faço minhas as palavras dela aqui está um texto para reflexão de muitos, que de certeza irá entrar a 100 e sair a 200 na cabeça de 70% destas.

Uma curta nota: ainda me lembro do tempo em que ia ao blog da morrighan e o achava to dark para mim, hoje em dia vou lá como quem visita uma velha amiga, a quem damos valor à opinião e seguimos como exemplo.

Fonte do texto em baixo: Blog Morrighan

Quando iniciei a minha aventura na web através da criação deste blogue, não sabia bem no que me estava a meter. Eu utilizava o espaço para me expressar em assuntos que achava pouco debatidos ou pouco esclarecidos, como o Paganismo. Escrevia muito de vez em quando, quase sem pensar se alguém leria ou não, mas que caso tropeçasse neste espaço pudesse encontrar algo de útil.

Nas férias de 2009, e porque nesses tempos eu já ganhava uns trocos e juntava tudo o que conseguia para comprar livros, li que nem uma desalmada. Não me lembro bem quantos livros é que li ao todo, mas sei que os que levei de férias não chegaram e tive de ir comprar mais durante as mesmas. Quando voltei, pensei que seria engraçado aproveitar o meu espaço na web para comentar os livros que tinha lido. Depois vieram os fóruns sobre livros e fui descobrindo que havia blogues que se dedicavam quase exclusivamente à crítica literária.

Em tom de brincadeira, e com a mesma intenção de tornar o blogue Morrighan num espaço do qual as pessoas retiravam algo de bom, comecei a contactar autores portugueses. Na minha opinião, isto ainda em fins de 2009/início de 2010, os autores portugueses estavam demasiado escondidos. Pelo menos os mais novos/recentes. A divulgação era escassa, os autores estrangeiros é que tinham o destaque todo e eu não me conformava com isso. Vocês hão-de pensar que isso não era bem assim, que havia bons autores com divulgação suficiente, etc., mas se virem do ponto de vista do género do fantástico (que cresceu de forma assustadora desde então), os escritores portugueses autores desse género, eram praticamente desconhecidos.

Iniciei então a aventura das entrevistas, que nem bem entrevistas eram, mas sim um conjunto de tópicos básicos para que os autores se dessem a conhecer. Graças à simpatia desses autores, comecei a receber livros com dedicatórias/agradecimentos que ainda hoje leio com muito carinho. No segundo trimestre de 2010, começaram a surgir as parcerias literárias. Algumas editoras contactaram-me, outras contactei eu com ajuda de outros bloggers e rapidamente me vi envolvida num mundo completamente novo e fascinante.

Reparem que eu falo dos meses entre Abril e Junho de 2010. Na altura, para além dos blogues literários não serem nem de perto nem de longe tantos como são hoje, o género do fantástico era pouco destacado, pouco lido. A aceitação por parte de autores e editoras de que o espaço Morrighan se iria dedicar à divulgação do género e de autores portugueses foi determinante para o seu sucesso.

Entretanto o blogue cresceu, divulga todo e qualquer género, desde que seja do meu agrado. Acho importante sublinhar que, apesar de se estabelecerem parcerias editoriais e de receber livros gratuitamente ser muito atractivo e apelativo, é fundamental manter a nossa identidade e personalidade – o nosso traço na web.

Hoje em dia, e estamos em Dezembro de 2012, os blogues literários são mais que muitos. Nascem que nem cogumelos por todo o lado e mais algum. Vão à caça de parcerias e de livros de borla. Não importa se as críticas são boas ou fundamentadas, importa dizer bem dos livros para que as editoras continuem a enviá-los de forma massiva. E não tenham dúvidas de que isto hoje acontece em larga escala, porque acontece.

No entanto, não se deve cair no erro de atribuir este fenómeno apenas aos bloggers. As próprias editoras são culpadas desta inundação de verborreia literária na web. Como os blogues são um óptimo meio de divulgação e de publicidade gratuita, quase que incentivam a isso mesmo. Não querendo generalizar, penso que é visível que existem editoras que nem analisam os blogues para os quais enviam os livros. Enviam e pronto. Não existem critérios de selecção, não existe sequer um estudo. Desde que se fale bem dos seus livros, enviam e pronto.

Mas… E então se… Epah, se eu não gostar do livro? Não posso falar mal!!! A editora assim não me envia mais livros!!! 
Sinceramente, este tipo de pensamento, a mim, custa-me de caraças. Penso que quando a editora envia um livro para um blogger, tem noção de que corre o risco do blogger não gostar desse livro, mesmo que tenha sido o mesmo a pedi-lo. E se o espaço é do blogger (e não das editoras como às vezes parece), porque é que não posso dizer que não gostei, fundamentando essa opinião? Não se trata de dizer bem ou mal dos livros, trata-se sim de apresentar as razões que nos levaram a gostar ou não da obra x ou y.

Ultimamente tenho visto tantos, mas tantos blogues a surgirem, que quando vou ao meu feed do blogger, são N posts iguais, com os mesmos títulos, os mesmo textos. Não se dá primazia à originalidade e à identidade própria. Mudam os templates e depois os conteúdos são iguais. Lembro-me que há uns anos não era assim. Cada espaço tinha uma identidade, um gosto, um traço de personalidade. Discutia-mos os livros nos blogues uns dos outros, havia diversidade de opiniões e acima de tudo, sinceridade.

Quero e gosto de pensar que o blogue Morrighan não perdeu essa identidade ao longo do tempo. Que não se deixou levar pela febre das parcerias (embora as agradeça do fundo do coração pois sem elas não leria metade do que leio) e que se mantém fiel a si mesmo. Agradeço a todos os meus leitores que me têm apoiado e acompanhado e que nunca desistiram de me visitar. Um muito obrigada.

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6 pensamentos sobre “[Opinião Blog Morrighan] Ser Blogger nos Dias de Hoje

  1. Minha querida Inês, muito obrigada. Foi uma grande resposta 🙂

    E concordo contigo, penso que metade não vai chegar a meio do post e da outra metade, se um quarto prestar atenção, vai ser muito.

    Outros vão sentir que é um ataque aos seus espaços, quando não tem nada a ver.

    Fico muito contente que me continues a visitar. Certamente eu faço o mesmo e adoro vir aqui ao teu cantinho.

    Um grande beijinho e obrigada pela partilha.

    • Uns vão enfiar o barrete mas outros vão te apoiar e acenar com as cabeças. Este assunto já foi mais que discutido, e penso que essa discussão resultou em melhorias, mas penso que o tempo de bonança já passou e agora vamos voltar ao mesmo.
      Tenho que referir, e sei que vais concordar comigo, que todos têm direito a começar algo novo, algo deles próprios, a questão aqui é que querem dar o passo maior que à perna, e quando o conseguem, vangloriam-se como se isso fosse um feito especialissimo! Há que baixar as cristas e o pessoal começar a ter mais humildades nos actos. Conseguiram num mês o que nós conseguimos num ano? Parabéns! Vamos ver se vão conseguir manter o blog tanto tempo e com tanto fulgor como agora.

      • Inês, concordo plenamente.

        É exactamente esse passo maior que a perna e a mudança dos tempos que me deixa estupefacta perante o arrebitar de cachimbo que vou assistindo.
        Penso que para além do direito de criar um espaço novo, os bloggers deviam ter também o Dever de serem no mínimo sinceros no que apregoam. Esse é um dos aspectos que mais me custa. Tecerem elogios infinitos a algo que não é assim tão bom, dizerem maravilhas para agradar às editoras só para que estas não lhes deixem de enviar livros.

        Nunca me tinha expressado publicamente sobre isto e decidi que nesta altura de balanço e do aniversário do blog, o devia fazer.

  2. Eu li até ao Fim… Morrighan (Sofia) 😀
    Creio que daquilo que sabem do meu blogue, que é mais ou menos da altura do teu, é que publicidade gratuita não entra…. faço publicidade apenas aos livros que entendo e não entro em parcerias (tipo aquelas que referes) Graças a Deus ainda não tenho e espero não ter necessidade em pedinchar seja o que for.
    Mas como também sabes, muitos desses blogues que nasceram de um dia para o outro desapareceram de um dia para o outro. Ainda cá alguns desse tempo e assim se vê quem é quem.
    O Facto é que com o salto que os blogues deram para o Facebook (o meu é um exemplo) os blogues foram perdendo visitantes e comentários, pois a partilha e discussão passou-se a fazer in-loco. É a evolução natural das coisas.

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