Entrevista a Madeline Hunter

Não conseui resistir a ter mais um pouco de uma das minhas autoras mais queridas aqui. Aqui fica uma cópia de uma entrevista a Madeline Hunter retirada do blog Pedacinho Literário:
Dos livros que publicou até ao momento, tem algum que guarde mais próximo do seu coração? Se sim, porquê?
É complicado responder a isso. Muitos me são próximos por diversos motivos, embora tenha de eleger O Protector como um dos mais apegados para mim, por ter sido a primeira história que escrevi, ainda que não tenha sido a primeira a ser publicada.
Pessoalmente, vejo as personagens como a verdadeira essência de um livro. Concorda? E teve alguma personagem que tenha precisado de um maior cuidado e atenção?
Concordo completamente. Também penso que os leitores respondem mais facilmente às personagens. Várias das minhas personagens precisaram de um cuidado especial. Anna, em O Protector, foi uma delas muito devido ao facto de não ser uma mulher comum para o seu tempo e, como tal, era essencial torná-la credível dentro do seu período histórico. Assim como o meu livro The Romantic, onde o herói é um homem calado e escrevê-lo de forma a mostrá-lo interessante mantendo-o “na personagem” foi difícil e necessitou de muita atenção. Depois existem outras personagens que os leitores apreciam como intervenientes secundários, como Castleford na série The Rarest Blooms, que requereram um certo cuidado quando se tornaram a personagem principal de um livro.
De todas as personagens que escreveu até ao momento, tem alguma que considere especial? Porquê?
Não existe efectivamente uma personagem especial. De maneira a escrever estes livros, cada personagem tem de ser a mais especial quando estou a escrever a sua história. Por isso, no final de contas, acabam todas elas por ocupar igual espaço no meu coração.
Já alguma vez lhe surgiu mais do que uma excelente ideia, para um livro, ao mesmo tempo? E se sim, como resolveu a situação? Como é que decidiu qual desenvolver primeiro?
Normalmente coloco uma de lado e isso resulta. Porém, houve uma vez em que isso não aconteceu e tive de escrever dois livros ao mesmo tempo. Eram também histórias completamente diferentes e os dois foram editados como By Possession e The Saint.

Li algures que muitos escritores necessitam de ter uma rotina ou horário de escrita para manterem a mente focada no livro em que estão a trabalhar. Acontece o mesmo consigo? Ou deixa a sua imaginação fluir?
Maioritariamente, flui. Assim que me sento e começo as coisas acontecem. O problema é mesmo sentar-me. 🙂
Quando é que se apercebeu que queria viver da escrita?
Por mais estranho que pareça, para mim não foi assim que aconteceu. Decidi terminar algumas histórias e ver se tinham possibilidade de serem publicadas. Nunca fiz por “fazer vida” disso porque sabia de antemão que seria algo bastante difícil de alcançar. No fim, consegui fazer da escrita um modo de vida e ninguém poderia estar mais surpreso do que eu!
Porque é que decidiu escrever romance histórico sensual em detrimento do tradicional romance histórico ou do romance contemporâneo?
Nos Estados Unidos os meus livros não são considerados sensuais, logo a questão é um pouco inesperada. Acreditem, existem livros e romances bem mais sensuais por aqui. Nos Estados Unidos, sou vista como uma autora de romance histórico tradicional, no entanto, com isso dito, escrever um nível alto de sensualidade fez sentido para mim enquanto escrevia os meus primeiros livros. Estes homens e mulheres estavam perdidamente atraídos uns pelos outros a nível sexual e fechar-lhes a porta quando descobriam essa parte dos seus relacionamentos pareceu-me “traição”.
Continuando o que referi em cima sobre os diferentes tipos de romance nos nossos países. Nos Estados Unidos, um romance histórico que não está verdadeiramente focado no romance mas que, ainda assim, apresenta algumas pitadas dele, não é vendido como um “romance”. É vendido como uma obra histórica mainstream (convencional). Estas distinções eram óbvias para mim quando visitei Portugal. Vocês apelidam muitos livros de romance que cá não chamamos de romances.
Já alguma vez escreveu um livro do qual não gostou particularmente?
Tento não o fazer. Já tive alguns que exigiram tanto trabalho de modo a ficarem bons que, depois disso, fiquei com alguns sentimentos ambíguos em relação a eles. Não os vou é nomear. 🙂
Tem algum outro género literário que gostaria de experimentar?
brinquei um pouco com alguns mistérios. Talvez tente uma dessas obras históricas de mainstream que mencionei em cima.
Do que é que gosta mais, de ser escritora?
E menos?
A melhor parte é transformar mundos e personagens em algo vivo e deixar que a minha imaginação tenha liberdade total. A pior parte é todo o trabalho que isso envolve. Escrever um livro não é fácil e requer muita auto-disciplina em que por vezes me rebelo.
Lições de Desejo vai ser publicado em Portugal no final deste mês (Agosto). O que é que nos pode contar sobre a história?
Bem, primeiro, aqui nos Estados Unidos, ganhou o prémio RITA, que é o reconhecimento mais importante na categoria de obras românticas. Foi aclamado de melhor romance histórico no ano em que foi publicado. Contudo, não é, em muitas maneiras, o romance típico no sentido em que a heroína não é uma coisinha jovem e doce mas sim uma mulher extremamente independente e pensadora. Ela é o que nos dias de hoje se chamaria de “boémia” e não anda à procura de um casamento. Existe também um subtexto no livro que nem todos os leitores reparam onde a relação sensual é uma metáfora para assuntos de poder e domínio na relação como um todo. Aqui nos Estados Unidos, tive alguns leitores que não gostaram da matriz diferente que foi dada enquanto que outros acharam que foi o melhor romance que alguma vez leram. Outros leitores mais jovens, na casa dos 20 e dos 30, acharam que foi uma história que espelhou as suas próprias vidas.
No coração do livro fica a pergunta: o que é que uma mulher deve abdicar de si mesma em nome do amor?
Tem algum poder na decisão/escolha das capas nacionais e/ou internacionais dos seus livros? E alguma de que goste ou desgoste particularmente?
Adoro as minhas capas em Portugal. São encantadores, com um bom design e detêm uma sofisticação que me atrai tanto como leitora como historiadora de arte. Nos Estados Unidos adoro igualmente as minhas capas mas estas são especificamente “de romance” dentro da distinção anteriormente mencionada. Nos Estados Unidos, as minhas capas portuguesas seriam encontradas em livros de “ficção feminina” e não particularmente na secção de “romance”.
Tem por hábito ler as críticas feitas aos seus livros? E já alguma coisa que um crítico ou leitor escreveu ou disse sobre si mudou a forma como escreve?
Não leio críticas. Costumava fazê-lo e li algumas muito atenciosas que me mostraram perspectivas nos meus livros que eu mesma não tinha percepcionado mas não mudo o meu estilo de escrita em resposta às críticas. Penso que é um grande erro escritores fazerem isso. Como um dos meus amigos autores disse: se tentares agradar a toda a gente, acabas com pudim de baunilha.
Para quando o lançamento de um novo livro e do que se trata?
Tenho um livro novo agendado para Março de 2012. Chama-se The Surrender of Miss Fairbourne e é o começo de uma nova série. É sobre uma mulher que recebe uma casa de herança e que descobre que tem um parceiro “invisível” secreto que é Conde. Apercebe-se ainda que o seu pai esteve envolvido numa série de assuntos antes de morrer, os quais ela necessita de manter em segredo mas que acaba por se sentir atraída para as mesmas actividades perigosas.
A um nível mais pessoal, como é que é uma típica terça-feira na vida de Madeline Hunter?
Bem, acordo, bebo café, sento-me ao computador e antes de mais leio o email. Eventualmente posso abrir o manuscrito em que estou a trabalhar no momento e escrevo durante o máximo de tempo possível, pelo menos algumas horas. Depois trato de algumas questões de negócios e também edito partes já escritas do manuscrito. Por volta das 16 horas volto a minha atenção para a família e lides da casa.
Qual foi o último filme que viu? E o último livro que leu?
Hmmm. Tenho tendência para ver os filmes após estes saírem do cinema e alguns vejo mais do que uma vez. Penso que o mais recente que vi foi um filme baseado em Jane Austen, Northanger Abbey. O último livro que li foi uma obra de Christina Dodd chamado Storm of Visions.
Como é que gosta de passar o seu tempo livre?
Gosto de viajar, passear, jantar fora e visitar museus.
Que conselhos daria aos jovens escritores que sonham um dia ser publicados?
O melhor conselho é escrever. Mergulhem na escrita pois é a forma mais rápida de se aprender. Esperem que o primeiro manuscrito seja um pouco irregular e não presumam logo que, por estar terminado, deve ser publicado. Existe uma curva de aprendizagem mas gostar do que estão a fazer faz parte da diversão. Tenham prazer no processo porque é impossível continuar, mesmo quando um romance nosso é publicado, se assim não for.
Outro conselho que posso dar é que leiam muito, claro. E também que arranjem forma de entrar em contacto com outros autores de sucesso, mesmo que seja online, para que possam começar a aprender sobre o processo de publicação e que expectativas aguardar tanto para as histórias como para os escritores.
Esteve recentemente em Portugal, de visita, o que lhe permitiu conhecer pessoalmente alguns dos seus leitores portugueses. Gostaria de lhes deixar uma mensagem?
Olá! Foi muito especial para mim chegar a Portugal e conhecer alguns dos meus leitores. Tenho tido conhecimento de vocês há já vários anos e sei que visitam o meu site e que alguns de vós me escreveram. Sinto-me verdadeiramente enternecida em saber que as minhas histórias encontraram um tão maravilhoso grupo de leitores em Portugal. “
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2 pensamentos sobre “Entrevista a Madeline Hunter

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